Lenda do Pai Sumé (indios Tamoios)
17 mai 2012 Deixe um comentário
em Uncategorized Tags:Sumé
Nada como um pouco da nossa mitologia tupiniquim para religar-nos com nossa função como seres humanos: Semear. Saludos a todos!
Fonte: http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/LiteraturaInfantil/15contos.htm
Sumé
(Lenda dos Tamoios)
Foi na imensa e fértil região das águas de montanhas e areias, que vem do Espírito Santo até o Rio de Janeiro, que apareceu Sumé, o venerado velho, pai da agricultura, cuja memória foi tão criminosamente perdida pela ingratidão dos homens.
Nessa larga faixa de terra, cujos cabos e promontórios rochosos invadem o mar, quase tocando ilhas fecundas, que verdejam ao sol, entre bancos de areia, — vivia um povo forte e valente, respeitado na paz e temido na guerra. Eram os Tamoios, cujas canoas guerreiras dominavam a costa, desde o cabo de S. Tomé até Angra dos Reis, guardando as aldeias, formadas de cabanas sólidas, cercadas de altas paliçadas inexpurgáveis. Quando as tribos vizinhas ousavam invadir a seu território, — o canto do pajé concitava os filhos da grande nação. E, ao som dos chocalhos de pedras, das buzinas de madeira, dos tambores e das flautas de taquara, — os grandes exércitos tamoios abalavam em hostes cerradas, para repelir o invasor. E a nação não descansava, enquanto os inimigos não fugiam ao valoroso embate das suas armas de gloriosas, — maças pesadas feitas de lenho de palmeira, formidáveis machados chatos de madeira vermelha, flechas agudas, arcos da altura de um homem. Mais de uma vez, assim, os Goitacazes e Goianazes tiveram de ver castigada a sua ousadia. Quando a guerra findava, toda a tribo comemorava com grande festa a vitória de seus filhos. E a música e a dança celebravam, em torno dos prisioneiros que tinham de ser comidos vivos, a derrota dos inimigos. Depois vinha de novo a livre e arriscada existência da paz, — a pesca, nas canoas ligeiras que voavam como as aves do mar à flor das águas, e a caça dentro dos matos bravos, povoados de feras.
Ora, um dia, em que uma grande multidão da tribo, à beira-mar, estava reunida, celebrando uma vitória, — viram todos que sobre o largo oceano, vinha, do lado em que o sol aponta, uma grande figura, que mais parecia de deus que de homem.
ra um grande velho, branco como a luz do dia, trazendo, espalhada no peito, como uma toalha de neve, até os pés, uma longa barba venerável, cuja ponta roçava a água do mar. E houve um grande espanto entre os Tamoios, vendo assim um homem, como eles, caminhar sem receio sobre as ondas como sobre terra firme.
Era Sumé, enviado de Tupã, senhor do Céu e da Terra. E Sumé operava prodígios nunca vistos. Diante dele, os matos mais cerrados se abriam por si mesmos, para lhe dar passagem: a um aceno seu, acalmavam-se os ventos mais desencadeados: quando o mar furioso rugia, um simples gesto de sua mão lhe impunha obediência. A sua presença fazia abaterem as tempestades, cessarem as chuvas, abrandarem as secas. E até as feras quando o viam, vinham submissamente lamber-lhe os pés, arrastando-se, de rojo, na areia. E os Tamoios, cativos de sua bondade, conquistados pelo assombro dos seus milagres, tomaram Sumé para seu conselheiro. E todas as tardes, os chefes adiantavam-se para ele, — enquanto em roda, mulheres, homens e crianças paravam a escutar, — vinham contar-lhe a história de seu povo, e interrogá-lo sobre as suas crenças, e pedir-lhe conselhos e lições.
E diziam-lhe a sua religião:
“Tupã, para fazer o céu e a terra, criou as mães para tudo. O sol é a mãe do dia e da noite. A lua é a mãe das plantas e dos animais. Os homens nasceram, e foram maus. Tupã, para castigar a sua maldade, mandou que as águas crescessem desmedidamente e cobrisse tudo. Então, viram-se os peixes nadando entre as folhagens das árvores, e os tigres afogados boiando sobre a vastidão das ondas crescidas. E os homens fugiam de monte em monte. E o céu se abria em relâmpagos e em quedas assombrosas de água. Mas um varão forte, que Tupã amava, — um varão de alma grande, que tinha o nome de Tamandaré, salvou a raça guardando dentro de uma canoa os seus filhos, e livrando-os do naufrágio espantoso. E de Tamandaré saímos nós, guerreiros que não tememos o trovejar das armas dos inimigos, quando o furor os assanha no campo de guerra, — mas que nos rojamos por terra, lembrando a antiga punição, quando ouvimos trovejar o céu, carregada de ameaças de maldição, a grande voz sagrada de Tupã, senhor e criador de todas as coisas e de todos os seres…”
Sumé amou aquela nação simples e sóbria, sem vícios e sem pecados. Louvou-lhe a bravura na guerra e a modéstia na paz. E quis torná-la feliz, ensinando-lhe o meio de viver na abundância. E ordenou que todos os homens válidos, depois de haverem abundantemente provido de caça e de pesca as cabanas, em que as mulheres e as crianças ficariam, seguissem com ele, para obrigar a terra a dar-lhes o sustento diário.
Disse-lhes Sumé: “A grande mãe é a terra: a grande mãe generosa; basta acariciá-la, basta amá-la e afagá-la, para que ela se abra logo prodigamente em toda a sorte de bens e de venturas.” Mas um pajé, velho sábio, conhecedor das coisas que o comum dos mortais ignora, observou: “Como pois, grande Santo, até hoje só tem ela tido para nós espinhos e répteis?” E Sumé respondeu: “Porque até hoje não a amastes com fervor e trabalho. Cavai-a e suai sobre ele: se rasgará agradecida, não para vos engolir, mas para vos dar vidas novas. Vinde comigo e vereis!”
Seguiram-no eles. E a terra, por toda a parte, era nua e ingrata. Matagais crespos e impenetráveis subiam do seu seio. E, dentro deles, as cobras silvavam, as onças uivavam: e toda aquela natureza primitiva era inimiga do homem, inimiga sem piedade, que afiava contra ele os dentes de suas feras e as pontas agudas dos seus espinheiros. Mandou Sumé que desbastassem a terra, e tivessem, para destruir os matos fechados, a mesma bravura e o mesmo vigor que tinham para destruir as hostes dos inimigos. Ordenou-lhe depois que amanhassem o solo, e, dando-lhes sementes várias, disse-lhes que as lançassem sem conta sobre o seio da grande mãe assim preparado.
Deste modo correu Sumé todo o litoral. E atrás dele todos os homens válidos da tribo seguiam. Os dias passavam. Passavam os meses. Passavam os anos. E de sol a sol, a febre do mesmo trabalho sacudia aquela multidão, que a virtude e a bondade de um só homem arrastavam seduzida e cativa. Quando Sumé chegou à grande Angra, que fechava ao sul o domínio dos Tamoios, parou. E disse, reunindo os trabalhadores:
— É tempo de retroceder… Ides ver como a terra vos paga em abundância e ventura as bagas de suor que gastastes em seu favor!
Retrocederam. E, então, começou o deslumbramento da tribo. À medida que se aproximavam do ponto de partida, viam a terra mudada, de mais em mais, abrindo-se em folhagens que não conheciam, em frutos que nunca tinham visto. E, quando chegaram ao grande acampamento, as mulheres e as crianças dançavam e cantavam. Os celeiros da tribo regorgitavam. O céu parecia mais belo; mais belo parecia o mar; mais bela a natureza toda; porque a tribo toda via agora a natureza através dessa alegria que é a filha da felicidade. Das sementes que o Santo Sumé fornecera, tinham nascido, em touceiras imensas, s bananeiras fartas; tinham nascido os carás e as mandiocas; tinham nascido os milhos de espigas de ouro; tinham nascidos os algodoeiros, os feijões e as favas…
Sumé não achou bastante o que já tinha feito: e ensinou-lhes a arte de fabricar a farinha, moendo a mandioca: e revelou-lhes os segredos da navegação, aperfeiçoando as suas igaras rústicas, dando-lhes velas, que, como asas de pássaros, ajudassem a voar com o vento, e lemos que, como caudas de peixes, as ajudassem a cortar ondas. E toda a tribo abençoou Sumé. E em honra sua, todas as tardes, quando o pôr-do-sol ensangüentava as águas, a tribo dançava, ao bater compassado dos tambores, em torno do grande velho, — filho querido de Tupã, pai da Agricultura, Gênio protetor dos Tamoios.
Mas os anos passaram. E, com o passar dos anos, passou a gratidão da tribo.
Os pajés, ciumentos do poder do Santo, envenenaram a alma da nação: “Como? Pois ela, tão forte, que, em todo arredor, só seu grito de guerra bastava para amedrontar todas as outras nações, ficaria sempre sob o domínio de um só homem, um estrangeiro, um homem de pele branca?”
E o rumor da maledicência crescia em torno do Santo. E, em torno dele, a rede da intriga se apertava.
E ele ouvia, e sorria. E a sua grande alma, toda sabedoria e bondade, compreendia e perdoava a ingratidão das gentes.
Uma madrugada, quando o Santo saía da sua cabana, viu formados todos os Tamoios, que vociferavam, ameaçando-o.
E todos eles estavam armados. E as fisionomias de todos eles transpiravam ódio e rancor.
O Santo Sumé quis falar. Não pôde. Uma flecha certeira, partida das fileiras dos ingratos, veio cravar-se no seu peito. O Santo sorriu. E, arrancando o dardo das carnes, atirou-o ao chão, e foi andando, de costas, para o lado do mar. Então, o ataque recrudesceu. As setas voavam, às centenas, aos milhares, todas atingindo o alvo. Sumé, com o mesmo sorriso nos lábios, ia sempre caminhando de costas para o lado do mar, e, de uma em uma, ia arrancando do corpo as setas que não o magoavam.
Quando chegou à praia, entrou pela água, cresceu sobre ela, sobre ela se equilibrou, e, sempre de costas, foi fugindo, — e sorrindo, sem amaldiçoar os ingratos a quem dera fartura.
E toda a tribo, paralisada de assombro, via, oscilando de leve sobre as ondas que o nascer do sol ensanguentava, ir diminuindo, diminuindo, até sumir-se de todo na extrema do horizonte, aquela doce figura, de pele branca com o a luz do dia, trazendo espalhada sobre o peito, até os pés, como uma toalha de neve, a longa barba venerável, cuja ponta roçava a água do mar…
|
|
Relato de uma guerreira carioca
16 abr 2012 Deixe um comentário
em bioconstrução, permacultura
Salve a todos!
Meu nome é Juliana, tenho 25 anos, e atualmente viajo com meu marido Daniel, de 28 anos, pelas fazendas orgânicas da rede WWOOF Brazil – www.wwoofbrazil.com – a fim de trocar conhecimentos práticos sobre os princípios de permacultura, bioconstrução, agrofloresta, hortas orgânicas, etc. Nosso objetivo final é encontrar um pedacinho de terra (que não seja muito caro, devido aos nossos poucos recursos financeiros… rs) para colocarmos em prática tudo que aprendemos durante o tempo em que viajamos.
Este é um relato sobre as atividades das quais participamos no Sítio Saracura, localizado em São Sebastião do Monte Verde, na serra de Lima Duarte – MG. Os proprietários são Emília e Diogo, um jovem casal que vive em Lima Duarte e pretende se mudar para a roça assim que a casinha que estão construindo com técnicas de bioconstrução, como argila e bambu estiver pronta. Por enquanto, eles se dedicam aos seus projetos pessoais: fazem mídia com jovens da zona rural e horta orgânica com pessoas da APAE, além de reservar boa parte do tempo para realizar as tantas obras que são necessárias no terreno deles.
Graças às redes “internéticas” como a WWOOF e várias outras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, eles têm recebido ajuda de diversos voluntários como nós, vindos de inúmeras partes do globo. Já se tornou comum para os dois hospedar franceses, belgas, americanos, canadenses, marroquinos, entre outros para trocar experiências em Agroecologia e vivências sócio-artístico-culturais.
Chegamos no dia 27 de março e nesse mesmo dia começamos a trabalhar com o Diogo e um casal de belgas, construindo e barreando as paredes do segundo andar da Casa Mãe. Para fazer a estrutura da parede foram usados dois tipos de bambu: o vulgaris e tudóide, e também foram necessários longas brocas, barras rosqueadas, porcas e arruelas.
Os bambus maiores ficaram na horizontal, localizados na parte superior e inferior da parede e foram perfurados com uma serra copo, que deixou um furo mais largo, do calibre do bambu menor. Desse modo, encaixamos os bambus menores na vertical, dentro desses buracos feitos nos bambus maiores.
Para terminar de estruturar a parede, cortamos diversos bambus menores no seu comprimento, separando-os em duas partes. Colocamos essas metades horizontalmente na parede, fazendo uma espécie de trançado em zigue-zague.
Isso já garante uma boa armação, mas para dar um toque decorativo no ambiente, foram colocadas algumas garrafas de vidro coloridas. Quando a luz do Sol bate na parede, os vidros refletem suas cores no interior do recinto, deixando-o mais bonito e alegre. Também podem ser usados vidros de janelas de carros e de ônibus e outros que estão além do nosso conhecimento atualmente.
Concluída a primeira parte, vem o momento de barrear a parede. Para a massa, usamos a seguinte proporção: 60% terra + 40% areia, o que depende da quantidade de areia ou argila que a terra já tem. Misturamos bem os dois, colocamos água aos poucos e pisamos na massa, para dar a liga. É interessante também colocar palha no produto final, pois ajuda a diminuir as rachaduras, comuns ao secar a parede. A parede ainda recebe uma segunda demão de barro e um reboco natural com barro, esterco, baba de palma e cal.
Massa pronta, vamos barrear! Eis uma técnica muito simples: preencher o esqueleto da parede com o barro e amassá-lo bem, tanto para que ele grude nas outras partes que colocamos, quanto para não deixar espaços com ar. Desse modo, garantimos que nossa construção não cairá. Devemos cobrir todos os bambus, mas não as garrafas, claro.
Depois de uma tarde inteira de trabalho em equipe, uma parede apareceu:
Depois disso, só tirando uma boa noite de sono para descansar e se preparar para mais um ótimo dia de aprendizado…
Juliana – www.casanaviagem.com
Dias de Abril
15 abr 2012 Deixe um comentário
em agrofloresta, bioconstrução, permacultura, Uncategorized Tags:Agrofloresta
Amig@s, esses últimos dias foram especiais. Passaram por aqui 10 pessoas nos dias ao redor da semana santa. Foram dias muito alegres onde compartilhamos muitos bons momentos e, como não podia deixar de ser, muito trabalho.
Vou tentar relatar todas as atividades que fizemos, mas é provavel que eu esqueça muita coisa: Fizemos mais 2 paredes e demos inicio a uma terceira, aterramos nossa cozinha e varanda, que agora está pronta pra receber o contrapiso, roçamos o capim ao redor das bananeiras e agora temos 16 bananeiras de nanica a ponto de bala. Além disso colhemos feijão, plantamos alho e hortaliças, visitamos amig@s, nadamos no rio, limpamos a trilha pra prainha e fizemos muitas refeições, celebrações e goiabadas. Cada objetivo alcançado era motivo pra comemorar.
Vou postar algumas fotos aqui pra tentar dar uma idéia de toda a energia que passou por esse terreno nos últimos dias.
Uma woofer que passou por aqui, chamada Juliana, fez um relato muito legal sobre a experiência dela no sítio, que vou colocar como próximo post.
Um grande abraço a tod@s que compartilham de nossa jornada onde quer que estejam.

Amarrando o bambu pra receber o barro. Fazemos um vinco nos bambus verticais e passamos os vidros de carro por eles. Esses vidros são muito fortes, já receberam até uma tempestade de granizo e aguentaram firme.

Aterrando a área onde vai ser o o piso da varanda, com Cyril e Taylor. Usamos as lajotas inteiras para aproveitar o volume.
Mais um woofer, a energia do universo encarnada.
21 mar 2012 5 Comentários
em Agroecologia, bioconstrução, permacultura
Olá amigos!
Pois é, é assim que eu vejo essa rede woofer: o universo encarnado em voluntários sempre dispostos a ajudar. Penso isso porque é bem assim que acontece, você se inscreve nessa rede virtual e começam a aparecer pessoas de bom coração do mundo todo interessados em praticar permacultura, e compartilhar conhecimentos.
Nesse ultimo mês recebemos Julien, um francês muito animado que nos ajudou muito barreando paredes e compartilhando seus conhecimentos de elétrica e que ligou nosso painel solar. Além de compartilhar arquivos digitais, filmes, musicas e muita alegria conosco.
Valeu Julien e toda rede wwoof pela ajuda. Espero que possamos crescer juntos sempre, Axé!

E regando o telhado verde. Só para constar, aquele morro de areia branca ao fundo está na mira de uma mineradora internacional... é a luta da nossa associação de moradores preservar esse patrimônio natural
Mutirão das paredes
06 fev 2012 2 Comentários
em bioconstrução, permacultura
Nesse fim de semana rolou outro mutirão! Um casal de amigos resolveu fazer uma trilha pras cachoeiras e depois dormir lá no Sitio Saracura. E como estávamos programando de barrear paredes eles vieram ajudar. Depois ainda chegou outro casal e o mutirão rendeu bastante, tanto que fizemos logo duas paredes!
Gratidão aos amigos Enéris, Débora, Fabiano, Flávia e todos que passaram por lá pra ajudar e compartilhar alguns momentos conosco nesse fim de semana. Vou colocar algumas fotos pra ninguém falar que eu to mentindo, hehehe!
Felicidades amigos!

Trabalho em equipe: Enéris fazendo a massa e entregando pro Fabiano que puxa la pra cima enquanto a Emilia vai barreando a parede! Valeu galera!
Telhado Verde
28 jan 2012 2 Comentários
em bioconstrução Tags:bambu gigante, telhado verde
No inicio de janeiro de 2012 concluímos o telhado verde. Tivemos bastante trabalho pra tirar placas de grama de terrenos próximos à casa e levar pra cima do telhado. Fiquei sabendo que o boldinho, ou boldo do chile é uma ótima opção para telhados verdes também, e talvez mais prático que a grama para plantar lá em cima.
A sequencia de montagem do telhado foi assim: primeiro montamos a estrutura de bambu gigante com os caibros colocados lado a lado e envernizamos tudo com verniz ecológico feito com raspas de colméia, alcool e óleo. Depois colocamos esteiras de taboa para formar uma superficie macia para receber a lona. Esticamos a lona de caminhão Trevira (bem resistente, com trama de tecido por dentro) e preenchemos a parte de brita, que permite o escoamento da água mas não do substrato. O substrato foi feito com duas partes de areia, uma de terra e uma de vermiculita, e foi espalhado por todo o telhado formando uma camada de aproximadamente 3 cm de espessura. Depois colocamos as placas de grama e fizemos o acabamento das bordas. Ainda vamos colocar mudas de boldinho nas bordas para dar aquele efeito estético com o boldo caindo por cima das bordas.
Agora é acompanhar e ver como ele se comporta com o passar dos anos. Também não podemos deixar de agradecer os amigos e voluntários que ajudaram a tornar real essa idéia. Salve Rafael, Vitor, Vale, Fred, Eré, Emilia, Hermeto e todos que participaram do processo, desde o corte dos bambus até a conclusão do telhado.
Até a próxima!

Colocando as esteiras de taboa sobre os caibros de bambu gigante. colocamos algumas ripas de bambu também para cobrir alguns espaços entre os bambus

Lona posicionada, brita já colocada no final do caimento do telhado e começando a encher o telhado com o substrato.
Conseguimos!
29 nov 2011 Deixe um comentário
Queridos,
Nossa primeira experiencia com crowdfunding (ou financiamento colaborativo) foi um sucesso! Conseguimos juntar fundos para financiar nosso projeto de inclusão social e agroecologia/permacultura para o ano de 2012. Ser voluntário é bom, mas uma ajudinha de custo não faz mal pra ninguem né
Quem quiser vir conhecer nosso projeto é super bem vindo aqui em Lima Duarte!
Até a próxima!
Diogo
Nosso primeiro SAF
27 nov 2011 Deixe um comentário
Olá oráculo.
Hj venho para mostrar nosso primeiro Sistema Agroflorestal, ou SAF. Consiste em plantar uma grande diversidade de espécies na mesma área, levando em consideração suas alturas, tempo de vida, posicionamento e interações ecológicas. Pode parecer complicado, mas não é. Nada que um “aprender fazendo” não resolva.
A Agrofloresta atualmente é considerada a nossa melhor ferramenta para trabalhar em cooperação com a natureza, por que somente dessa forma é possivel:
produzir mais quantidade e diversidade,
gastar menos energia e dinheiro,
não poluir e recuperar o meio ambiente
Vou postar aqui algumas fotos do nosso sistema com 2 meses. Nessa área de 12X9 metros temos plantado – além de dezenas de sementes de árvores – vagem, inhame, milho, rucula, cana, melancia, quiabo, banana, feijão guandu, e estacas de margaridão.
Quando as primerias espécies estiverem gerando um sombreamento legal vamos entrar com nossas mudas de juçara e ingá de metro, outra leguminosa comestível.
Nessa outra foto ve-se o feijão guandu que foi plantado junto com o milho. Esse feijão é chave, pois além de fixar nitrogênio – como toda leguminosa – forma um arbusto que vai ajudar o sombreamento do sistema depois que colhermos o milho. O Hermeto apareceu na foto porque ele gosta muito de farrear entre os milhos.
vagem, inhame, milho com feijão guandu e rucula entre os milhos. Entre as fileiras de milho tem estacas de margaridão (não se ve nessa foto) e sementes de café.
Logo mostro fotos do SAF mandiocal. E mais fotos da bioconstrução.
Felicidades,
Diogo
Projeto Nossa Horta para financiamento colaborativo
08 nov 2011 1 Comentário
Olá amigos!
Finalmente nosso projeto foi pro ar! Infelizmente eles deram apenas 30 dias para conseguir a meta, o que é pouquíssimo tempo…
Mas de qualquer forma, vou colocar o link aqui para quem quiser/puder ajudar. Nosso projeto começou em abril de 2011, de forma voluntária, e para 2012 queremos transformar nosso terreno em um espaço de práticas agroecológicas, como a autogestão do projeto, o plantio agroflorestal e a bioconstrução. Pretendemos criar uma agenda de cursos para o ano de 2012, para disseminar esse conhecimento na nossa comunidade.
Gostaria de chamar a atenção para a importancia dessa forma colaborativa de financiamento, que é muito mais prática do que aqueles editais altamente burocráticos que estamos acostumados. Devemos contribuir para tornar o financiamento colaborativo brasileiro tão grande quanto os crowdfundings norteamericanos ou europeus. Essa é a melhor forma de autogestão da sociedade civil sem depender do poder público.
Segue o link e o video:
http://catarse.me/pt/projects/408-projeto-nossa-horta
Abraços carinhosos a todos,
Diogo
Construindo nossa casa
24 out 2011 Deixe um comentário
Pois é gente, fazer bioconstrução não é fácil. São vários os percalços e geralmente não tem muito pra quem pedir ajuda. Nem o engenheiro, nem o arquiteto, nem o pedreiro ou o mestre de obras poderão te ajudar caso vc tenha duvidas. Mais provável eles vão achar que vc é algum excêntrico… ” Não quis bater laje? Então se vira!”
Mas para os bravos que ainda persistem, desejo muita força de vontade. Tenha em mente que é uma obra com um ritmo muito diferente das casas convencionais de alvenaria. É preciso viver a obra, e não querer que ela acabe o mais rápido possível. Da forma que estamos realizando a obra, em alguns momentos ela é também educacional, vindo gente que nunca fez essas técnicas praticar aqui.
Digo isso porque os ultimos dias foram muito cansativos, de muito trabalho e reflexão, mas que valeram a pena, conseguimos adiantar um pouco mais a obra e devagar continuamos esta fase.
Nessas ultimas semanas contamos com a ajuda de Marouane, um marroquino que mora na França e que chegou como voluntário, através da Rede Mundial de Voluntários para Fazendas Orgânicas, ou wwoof. Além dele, contamos também com a Valentine, belga mas já abrasileirada, e seu companheiro Victor (carioca), que vieram lá de Sapucaia-RJ (de onde vem a foto da agrofloresta de um post anterior).
Bom, nessas ultimas semanas colhemos juçara, demos continuidade ao telhado de bambu, trançamos mais algumas paredes para o mutirão que vai rolar domingo 23 de outubro e fizemos um pouco mais de Cob com garrafas de vidro.
Fica aqui então o agradecimento aos irmãos, Cidadãos do Mundo que nos ajudaram nessas semanas.

Casa mãe. No momento estamos colocando os caibros no telhado de bambu, que será coberto com grama. Vê-se também à esquerda a fundação de cupinzeiro para elevação do piso.



























