Relato de uma guerreira carioca

Colhendo feijão na Agrofloresta

Salve a todos!
Meu nome é Juliana, tenho 25 anos, e atualmente viajo com meu marido Daniel, de 28 anos, pelas fazendas orgânicas da rede WWOOF Brazil – http://www.wwoofbrazil.com – a fim de trocar conhecimentos práticos sobre os princípios de permacultura, bioconstrução, agrofloresta, hortas orgânicas, etc. Nosso objetivo final é encontrar um pedacinho de terra (que não seja muito caro, devido aos nossos poucos recursos financeiros… rs) para colocarmos em prática tudo que aprendemos durante o tempo em que viajamos.
Este é um relato sobre as atividades das quais participamos no Sítio Saracura, localizado em São Sebastião do Monte Verde, na serra de Lima Duarte – MG. Os proprietários são Emília e Diogo, um jovem casal que vive em Lima Duarte e pretende se mudar para a roça assim que a casinha que estão construindo com técnicas de bioconstrução, como argila e bambu estiver pronta. Por enquanto, eles se dedicam aos seus projetos pessoais: fazem mídia com jovens da zona rural e horta orgânica com pessoas da APAE, além de reservar boa parte do tempo para realizar as tantas obras que são necessárias no terreno deles.
Graças às redes “internéticas” como a WWOOF e várias outras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, eles têm recebido ajuda de diversos voluntários como nós, vindos de inúmeras partes do globo. Já se tornou comum para os dois hospedar franceses, belgas, americanos, canadenses, marroquinos, entre outros para trocar experiências em Agroecologia e vivências sócio-artístico-culturais.
Chegamos no dia 27 de março e nesse mesmo dia começamos a trabalhar com o Diogo e um casal de belgas, construindo e barreando as paredes do segundo andar da Casa Mãe. Para fazer a estrutura da parede foram usados dois tipos de bambu: o vulgaris e tudóide, e também foram necessários longas brocas, barras rosqueadas, porcas e arruelas.
Os bambus maiores ficaram na horizontal, localizados na parte superior e inferior da parede e foram perfurados com uma serra copo, que deixou um furo mais largo, do calibre do bambu menor. Desse modo, encaixamos os bambus menores na vertical, dentro desses buracos feitos nos bambus maiores.

Para terminar de estruturar a parede, cortamos diversos bambus menores no seu comprimento, separando-os em duas partes. Colocamos essas metades horizontalmente na parede, fazendo uma espécie de trançado em zigue-zague.

Trançado de bambu.

Isso já garante uma boa armação, mas para dar um toque decorativo no ambiente, foram colocadas algumas garrafas de vidro coloridas. Quando a luz do Sol bate na parede, os vidros refletem suas cores no interior do recinto, deixando-o mais bonito e alegre. Também podem ser usados vidros de janelas de carros e de ônibus e outros que estão além do nosso conhecimento atualmente.

Garrafas inseridas na parede.

Concluída a primeira parte, vem o momento de barrear a parede. Para a massa, usamos a seguinte proporção: 60% terra + 40% areia, o que depende da quantidade de areia ou argila que a terra já tem. Misturamos bem os dois, colocamos água aos poucos e pisamos na massa, para dar a liga. É interessante também colocar palha no produto final, pois ajuda a diminuir as rachaduras, comuns ao secar a parede.  A parede ainda recebe uma segunda demão de barro e um reboco natural com barro, esterco, baba de palma e cal.

Massa pronta, vamos barrear! Eis uma técnica muito simples: preencher o esqueleto da parede com o barro e amassá-lo bem, tanto para que ele grude nas outras partes que colocamos, quanto para não deixar espaços com ar. Desse modo, garantimos que nossa construção não cairá. Devemos cobrir todos os bambus, mas não as garrafas, claro.

Barreando

Depois de uma tarde inteira de trabalho em equipe, uma parede apareceu:

Parede pronta

Irmãos woofers: da direita pra esquerda, Benji, Emilie, Daniel, Juliana, Emilia e Diogo

Depois disso, só tirando uma boa noite de sono para descansar e se preparar para mais um ótimo dia de aprendizado…

Juliana – www.casanaviagem.com

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